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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Motown Records Comemora 50 Anos

A Motown Records, famosa gravadora norte americana de música soul, comemora 50 anos nesta segunda-feira. O selo, criado por Berry Gordy, lançou estrelas como: Marvin Gaye, Stevie Wonder, Diana Ross e Michael Jackson. O correspondente da BBC James Coomarasamy, em visita a Detroit, entrevistou alguns daqueles que presenciaram o nascimento da gravadora.

da BBC - O primeiro sucesso da Motown foi Money (That's What I Want) (em português, dinheiro: é isso o que eu quero), mas quando a gravadora foi fundada, há 50 anos, ninguém esperava que fosse fazer muitos dólares.

Segregação Racial - "No dia em que (Gordy) criou o selo, pediu ao Four Tops para trabalhar com ele. Nós casualmente respondemos que não, claro", disse Duke Fakir, único integrante do quarteto vocal Four Tops ainda vivo. "Nós o conhecíamos, mas não achávamos que um negro tivesse qualquer chence em Detroit, na indústria fonográfica, com uma gravadora". Mas os cantores estavam enganados, e acabaram se tornando um dos gruos mais queridos do selo. Joe Billings, cantor do grupo Countours, menos conhecido, lembra das dificuldades de artistas negros na América segregada racialmente.

"Nós subíamos ao palco e (na platéia) você tinha os brancos de um lado, os negros do outro lado. Então você cantava para os brancos e depois se virava e cantava para os negros", disse Billings.
Mas americanos de todas as raças não conseguiam resistir ao desejo de dançar aquelas músicas alegres que falavam de amor. "Você tinha negros fazendo música que negros e brancos gostavam e ninguém sabia o que fazer a respeito", disse Gary Grath, um jornalista especializado em música baseado em Detroit. "Porque o que a Motown estava oferecendo era música pop, não aquilo que na época se entendia por musica racial". "Aos poucos, fomos entrando na casa das pessoas, na sala de visitas, na cozinha, onde não tínhamos estado antes", disse Duke Fakir. "Estavam começando a nos aceitar e a nos ver de maneira diferente".

Barry Gordy criou seu império no lendário Studio A, construído dentro de sua garagem, no subsolo de sua casa. Os músicos tinham acesso ao estúdio 24 horas por dia e, segundo Fakir, a atmosfera era competitiva, mas amistosa. "Quando The Temptations estavam lá para uma gravação, a gente entrava e fazia uma voz. Depois, saíamos e íamos jogar basquete juntos, ou íamos todos para a casa de Mary Wilson e ela cozinhava para todo mundo", disse Fakir. "Ficávamos até três ou quatro da manhã. Era uma vida de felicidade". E uma vida também de muito sucesso. A Motown tornou-se uma fábrica de hits, criando super estrelas como Smokey Robinson, Marvin Gaye e as ex-secretárias da Motown Martha Reeves e Diana Ross.

Em 1972, Gordy decidiu expandir seu negócio e transferiu a gravadora para Los Angeles. Hoje, a antiga casa do empresário é um museu. Visitantes podem conhecer o famoso Studio A, intacto, com instrumentos e gravadores. Mas muitos, como Joe Billings, são da opinião de que o selo perdeu com a mudança. "Qualquer artista da Motown podia ouvir a diferença, o som deixou de ser o mesmo, já não estava mais lá", disse Billings. Para o jornalista Gary Grath, a cidade de Detroit também perdeu com a saída da gravadora. "Eu realmente acredito que se a Motown tivesse ficado onde estava, o futuro de Detroit talvez tivesse sido melhor", disse Grath. "Detroit se sentiu rejeitada e os efeitos disso ainda são sentidos hoje". Para a cidade, portanto, a data simboliza também aquilo que Detroit perdeu.
Prevalece, no entanto, o orgulho da música que - muitos acreditam - só podia ter sido criada em Detroit, e que se tornou trilha sonora para as vidas de milhões pessoas.

O selo Motown emplacou quase 200 sucessos no primeiro lugar da parada de singles dos Estados Unidos. Depois da transferência para Los Angeles, entrou em declínio, mas manteve sua independência até junho de1988, quando Gordy vendeu a companhia para a MCA e Boston Ventures e, mais tarde, para a PolyGram, em 1994. Hoje, a Motown Records é uma subsidiária do Universal Music Group.

Fonte: BBCBrasil.com

Para conhecer melhor a saga do Sr. Gordy e da Motown recomendamos a leitura de:
- Berry Gordy, To Be Loved: the music, the magic, the memories of Motown: an autobiography, 1995.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Soltem a Pivetta e metam em cana os mensaleiros

A gente aqui da carioca.fm também tem muito orgulho do Brasil. Neste momento de crise mundial temos o privilégio de sermos brasileiros. Acostumados como estamos a momentos difíceis, vamos tirar de letra. O problema é que quando nos orgulhamos por um lado, sentimos profunda vechação por outro. A vegonha de nosso sistema costuma vir a cavalo, galopando! Que país é este onde uma jovem artesã de 23 anos, que por pichar a Bienal de SP está em cana, enquanto criminosos contumazes como os descobertos no escândalo do mensalão, por exemplo, ficam soltos. Não serão dois pesos e duas medidas?

Agora não é mais dólar na cueca, é euro na cueca, meias, sapatos, por todo corpo... Ontem foi preso um tubarão das lavanderias de dinheiro sujo, e réu no infame caso do mensalão, com mais de um milhão de reais, em notas de euros, espalhadas pelas roupas de baixo. Isso ao passo que uma jovem artesã, de apenas 23 anos, está há 41 dias na cadeia só porque pichou as paredes da Bienal... Caroline Pivetta da Mota (foto) está trancafiada numa cela na Penitenciária Feminina de Sant'Ana, em São Paulo, junto a presas perigosas. E os mensaleiros, qual deles está em cana? Quanto tempo será que o Enivaldo ficará preso antes de receber habeas corpus do STF?

São fatos como este que revoltam! Como pode a popularidade de nosso presidente ser tão alta? A resposta parece ser simples: Esta popularidade só pode advir de camadas pouco esclarecidas da população. Parece que pra gente mal esclarecida, e por conseqüência inescrupulosa, não tem nada errado em ganhar muita grana, mesmo que de forma desonesta. Pra essa gente, pichadores, maconheiros e homossexuais merecem ir pra cadeia, são todos escória; enquanto que pra "empresários bem sucedidos", mesmo que ao custo de muita desonestidade, sonegação e gatunagem, sob a forma de juros extorsivos, vale tudo.

As pichações, muitas vezes, não são só atos de vandalismo. No caso da Bienal, a curadoria deixou um espaço enorme, propositalmente vazio. É muito provável que se este espaço tivesse sido ocupado o fato não teria ocorrido. Neste caso a pichação foi usada como instrumento de protesto. O ato (infeliz) foi realizado por atistas populares, que queriam de alguma forma se manifestar. Parece que eles, e ela, queriam apenas ter o direito de também terem um espaço pra mostarem suas obras. A parede já foi pintada e a grafitagem apagada para sempre. O quê vai acontecer agora com a vida da pichadora Caroline Pivetta da Mota? Será que uma mãozinha de tinta vai apagar o que ela está passando na prisão, ao lado de perigosas marginais? E com os veradadeiros pulhas, que corroem de forma devastadora o sistema... será que continuarão a finalizar na pizza?
Alô presidente Lula, por favor, governe também para as pessoas que usam a cabeça não só como suporte de boné ou aparador de óculos de sol! Soltem a Pivetta e enquadrem os tubarões! Que a pizza volte a ser somente um prato de origem italiana!